quinta-feira, 28 de junho de 2007

Avril Lavigne apresenta novo disco em Madrid


Avril Lavigne apareceu para os fotógrafos no Circo Price de Madrid, uma arena que lembra a do Circo Voador, com mais de meia hora de atraso. “Hi!”. Loira, pequena, aparentando muito menos que seus 22 anos e visivelmente incomodada com a quantidade de flashes, Avril nao ficou de pose nem por um minuto.

A cantora canadense chegou à Espanha para um showcase de apresentação do novo CD, “The best damn thing”, que já vendeu três milhões de cópias em dois meses. O show era exclusivo para imprensa e um grupo reduzido de fãs, que escutaram seis canções: “Girlfriend”, “Sk8ter Boi”, Happy Ending, “When youregone” (o single do novo CD), “Everything Back” e “Complicated”.

Enquanto Avril nao subia ao palco, o público deixava celulares e câmeras a postos, e um dos guitarristas, com um “A” feito à máquina no cabelo se aquecia... a pequena canadense entrou logo depois, com um microfone pink da mesma cor do cabelo de uma das backing vocal, que também dançavam.

É o momento de um novo estilo, disse Avril, que assegura ter abandonado a “introspecção” do trabalho anterior por uma aposta pelo pop-rock "mais divertido e pegajoso”.

Foto: EFE

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Espanha consome mais cocaína que Estados Unidos


A taxa de consumo de cocaína na Espanha entre os cidadãos de 15 a 64 anos superou, pela primeira vez na história, a taxa dos Estados Unidos, e assim quadruplica a média européia, segundo o Informe Mundial sobre Drogas 2007, apresentado pela ONU.

Enquanto o documento aponta que o consumo e a produção de drogas ilegais tende a estabilizar-se no mundo, na Espanha observa-se um aumento do consumo da cocaína: um em cada cinco consumidores europeus da droga encontra-se no país.

A cocaína é a segunda droga ilegal mais consumida na Espanha, depois da cannabis (que experimentou uma ligeira queda de adeptos). Foi aqui que confiscaram a maior quantidade de haxixe (resíduo de cannabis) em 2005, com 51% do total mundial, seguido de Paquistão e Marrocos, cada um com 7% do total.

O informe declara que a “Espanha tem um papel fundamental para limitar a chegada de resina de cannabis ao mercado europeu”. O país também continua sendo a principal porta de entrada de cocaína, já que os traficantes se aproveitam dos laços históricos e linguísticos com América Latina, além do seu amplo litoral.

Nota: O consumo de cocaína por aqui não está nas ruas, mas visível nas festas em casas de jovens. A droga está longe de assumir o mesmo caráter forte, pejorativo, que possa ter no Brasil. O Ministério da Saúde espanhol respondeu prometendo campanhas de prevenção ao uso de drogas entre os jovens, além de um acordo com a Federação Espanhola de Hoteleria para prevenir o consumo de cocaína em locais de lazer e diversão.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Rojo


Começou nova temporada do Ballet Nacional de España em Madrid. Será um mês e meio de dança flamenca no Teatro Gran Vía, em uma celebraçao da cultura espanhola para turistas e, claro, espanhóis. No palco, 40 jovens bailarinos acompanhados de músicos que interpretam ao vivo o ritmo mais tradicional do país.

O espetáculo inicia-se com “La Leyenda”, uma homenagem à dançarina Carmen Amaya. Seguem “Cambalache”, com baile de casal, “Dualia”, uma exaltação à dança espanhola, e “Caprichos”, que relembra os três pilares de guitarra flamenca: Ramón Montoya, Sabicas e Niño Ricardo.
Foto: EFE

quarta-feira, 20 de junho de 2007

O Afeganistao dos sonhos


"Queremos um novo amanha para o Afeganistao e por isso trabalhamos para que os mais jovens sejam parte de uma geraçao que nao veja sangue, que nao seja separada dos pais e submetida às misérias da guerra", disse em entrevista o parlamentar afegao Sayed Mustafa Kazimi. A esperança, afirma, está nos seis milhoes de crianças que hoje freqüentam a escola no país e vao decidir o destino de uma naçao ainda arrasada pela ofensiva contra o regime taliba. Ainda leva tempo. Antes disso, Kazimi lembra que será preciso introduzir reformas, possibilitar novos governos e facilitar o crescimento.

Ele chegou em Madrid acompanhado pela parlamentar Saifura Niyazi, responsável pela Associaçao de Mulheres Afegas. A visita inclui outras capitais européias como Bruxelas, Berlim e La Haya, e faz parte de um projeto da OTAN com o objetivo de consolidar os vínculos institucionais entre Afeganistao e alguns dos países que integram a Força Internacional de Assistência.

Kazimi e Niyazi chegaram à Espanha para tratar com o ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, da colaboraçao do governo espanhol com o país asiático. A Espanha mantém tropas em território afegao, soldados que Kazimi definiu como “mensageiros da paz”. Em entrevista à EFE, ele diz que as tropas nao estao ali para passar uma idéia de guerra, senao para demonstrar à populaçao que é possível viver em paz e restaurar a democracia.

Enquanto o intérprete escrevia indecifráveis símbolos em árabe no papel, Kazimi fazia questao de deixar claro que o Afeganistao nao quer colocar toda a carga nos ombros da comunidade internacional. “Nao temos a intençao de manter as tropas internacionais de forma permanente, fazendo um trabalho que é nosso”, diz. “Mas precisamos de tempo para assumir essas responsabilidades, e esperamos que nao seja um tempo longo demais”.

Com o rosto parcialmente coberto, como reza sua religiao, Niyazi tratou da vulnerabilidade feminina na sociedade afega, mas destacou um crescimento de importância das mulheres nas esfera política: elas já representam um quarto dos membros do Parlamento e mais de 20% nos Conselhos de Província.

Muito simpático e diplomático, Kazimi fazia “sim” com a cabeça e sorria enquanto o intérprete traduzia em inglês os sons que eu nao era capaz de entender. Parecia especialmente satisfeito com a última pergunta, sobre o país que espera. Respondeu poeticamente, na linguagem do Afeganistao dos sonhos. O intérprete traduziu. Kazimi me dirige as únicas palavras em inglês de toda a entrevista: “Thank you”. Com a câmera desligada, diz que as crianças assistem às aulas em acampamentos, quando nao há escolas. Em muitos casos, nem barracas existem. “Mas isso vai mudar”, espera. Sorri. E termina o breve contato entre culturas tao diferentes que por uma tarde estiveram próximas. Que loucura o jornalismo.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

¡Eto´o, cabrón, saluda al campeón!


Mais de 30 câmeras de TV, igual número de fotógrafos, gente falando espanhol, inglês, japonês e alemao. Todos à espera (eu inclusive), por mais de uma hora, de David Beckham, em sua última coletiva antes da final do Campeonato Espanhol. Depois de quatro anos, o “último galáctico” deixava o Real Madrid.

Bastante tímido e com um tradutor ao lado (impressionante como depois de tanto tempo na Espanha ele só saiba falar “un poquito” ou “muchísimas gracias”), Beckham deixou claro que preferiria jogar dois ou três anos mais com os blancos. Mas, desde janeiro, foi avisado de que nao renovariam o contrato. E seu próximo destino, para a alegria de Victoria, será a segunda linha, no Los Angeles Galaxy, nos Estados Unidos (ele vai acabar mesmo é em Hollywood, mas enfim).

Visivelmente ressentido mas sem querer sair mal com ninguém, Beckham expressou respeito ao técnico, Capello, ao presidente do clube, Calderón e, principalmente, aos companheiros de time Roberto Carlos e Raul. E esperava, como quase toda Madrid, que no domingo se realizasse um sonho: comemorar na fonte de Cibeles o 30º título espanhol do Real Madrid.

O dia da angústia foi ontem. No placar, Mallorca ganhava por 1 X 0. O Barça goleava o Gimnastic, e ameaçava tirar o doce da boca madridista. Mas num desses milagres que só o futebol é capaz de proporcionar, o Real Madrid empatou. Virou. E de repente já ganhava de 3 X 1. Nada de Beckham ou Roberto Carlos: o protagonista foi Reyes, que substituiu Beckham no segundo tempo. Marcou dois. Do banco, Beckham mordia a chuteira. E aos 48 do segundo tempo, quando o juiz deu o apito final, sambavam os reservas, apareceu a bandeira do Brasil, gritavam ah sí sí sí Real Madrid!

E de Cibeles, o quintal de comemoraçao madridista, se ouvia com todos os sotaques a mesma frase Eto´o, cabrón, saluda al campeón!

A noite era blanca.

Células madre, laser e corazón


Os cirurgioes do hospital madrilenho de La Princesa conseguiram, pela primeira vez na Europa, implantar células-tronco por meio de laser no coraçao de dois pacientes com cardiopatia isquêmica grave. A pesquisa sobre células-tronco retiradas da medula óssea data desde 1998; o uso do laser vem de antes. Mas só agora os médicos conseguiram unir as duas técnicas, objetivo antes atingido somente na China e no Egito.

A idéia é produzir novos vasos através do laser; as células-tronco se encarregam de regenerar os tecidos danificados pela doença. Os cirurgioes responsáveis, Juan Duarte Manzanal e Guillermo Reyes, explicam que a probabilidade de rejeiçao é menor, assim como a mortalidade dos pacientes, e o período pós-operatório nao dura mais de cinco dias, já que a cirurgia é menos agressiva. A expectativa, dizem, é que se abra uma nova via para a terapia celular. Só na Espanha sao realizadas mais de 4.000 cirurgias coronárias por ano.

Foto: EFE

domingo, 17 de junho de 2007

Alcohol e Van Gogh


Os dados sao do Ministério de Saúde da Espanha: a maioria dos jovens espanhóis começa a beber antes dos 14 anos e 1 de cada 3 confessa que se embebedou no último mês. Na semana pasada, a ministra Elena Salgado lançou uma campanha de prevençao do alcoolismo entre menores. Com base em um convênio com a Associaçao de Editores de Diários Españoles, a publicidade de bebidas alcóolicas passará a ser limitada.

Fica proibido inserir propaganda em capas e contra-capas onde apareçam crianças ou em seçoes dirigidas a eles, além de associar a bebida à projeçao social, profissional ou sexual. A campanha difundida na mídia é bem interessante: utiliza a sensaçao do “ver em dobro” quando se está bêbado à idéia de “el doble de ridículo, el doble de vulnerable, el doble de insconsciente. El alcohol te destroza por partida doble”. O link é http://www.msc.es/campannas/campanas07/alcoholmenores1.htm

De saúde a cultura. Fomos à inauguraçao de uma exposiçao de Van Gogh que por primeira vez reúne exclusivamente os quadros pintados por ele nos dois últimos meses de vida, quando saiu do manicômio e se instalou em Auvers, na França, até disparar-se um tiro de revólver e morrer dia 29 de julho de 1890.

Foi um tempo de produçao frenética, mais de 70 pinturas. A mostra reúne 29 quadros, emprestados de centros culturais públicos e privados de todo o mundo. A obra que ilustra o post é 'Orillas del Oise en Auvers', pertence ao Instituto de Artes de Estados Unidos em Detroit e estará, como as demais, no Museu Thyssen de Madrid até dia 16 de setembro.

O link das Últimas paisagens: http://www.museothyssen.org/thyssen/exposiciones/WebExposiciones/2007/van_gogh/index.htm

sábado, 16 de junho de 2007

Liechtenstein e Serrano


O principado de Liechtenstein, país da Europa Central em que se fala alemao, é um dos menores do mundo, o quarto mais "chico" da Europa. Nao tem acesso ao mar, está rodeado por Suiça e Áustria e é conhecido por ser um paraíso fiscal. Além do príncipe, a pessoa mais famosa de Liechtenstein é Hanni Wenzel, que ganhou dois títulos olímpicos em 1980 em esqui alpino. Bem menos famosa é sua seleçao de futebol, que no último dia 6 jogou contra a seleçao espanhola. Esperava-se uma goleada, mas o placar foi fraco: 2 X 0 para a Espanha, e no sufoco.

A recepçao no aeroporto de Madrid foi fria. Poucos fas, pouca imprensa. Passaram Sergio Ramos, Casillas e Fábregas. Silêncio. A seleçao já havia viajado com um monte de jornalistas e nao queria falar fora do aviao. O único a dar alguma declaraçao, Luis Aragonés, o técnico, saiu-se com o típico: "O importante foi ganhar, ainda que teria sido bom marcar mais gols". A verdade é que todos estao mais atentos com fim da Liga, este domingo 17. O Real Madrid tem o título quase no bolso. Será também a despedida dos "galáticos".

E com o microfone em punho, meu primeiro "canutazo" passou. Nao se esquecerá. (A crônica do jogo no site da Federaçao Espanhola de Futebol: http://www.rfef.es/artavan-bin/Rfef/init ) .

Valeu a pena ir em seguida à exposiçao de Andres Serrano, fotógrafo americano de família cubana. É dele a foto que ilustra esse post, chama-se "A History of Sex (Antonio and Ulrike)". Serrano é conhecido por suas séries polêmicas, que tratam sobretudo de sexo, religiao e minorias. Que mistura.

A mostra é parte de um festival chamado "PhotoEspaña", em que fotógrafos renomados de todo o mundo apresentam seu trabalho em diferentes centros culturais da cidade. Sebastiao Salgado também está por aqui, em cartaz até 22 de julho. O site oficial do evento: http://www.phedigital.com/

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Efeito Borboleta


Efecto Mariposa é o nome de um grupo de rock de Malága, do sul da Espanha, que começa a fazer sucesso pelo país e apresenta agora o novo disco "Vivo en vivo", uma reuniao de singles e quatro cançoes inéditas. O lançamento nasceu da turnê anterior da banda, que começou a bater asas em ares espanhóis e terminou com mais de 70 shows, o último longe no México, em dezembro do ano passado, confirmando a teoria do efeito borboleta.

O som é bem pop, no estilo de outros grupos do gênero que arrastam jovens fas para os shows. Os tres atuais integrantes, Susana, Frasco e Fred (a composiçao já mudou bastante), gravaram com artistas conhecidos por aqui como Javier Ojeda e Coti. "Uma experiência muito íntima e bonita", afirmaram em entrevista. A cançao mais conhecida até entao era "No me crees". O destaque da vez é "Si tu quisieras", música que trata de um tema cotidiano e recorrente em tantas melodias: o amor.
O site oficial de Efecto Mariposa: http://www.efecto-mariposa.com/

Do papo com eles ainda deu tempo de cobrir uma exposiçao no Museo Casa de la Moneda chamada "Mito y alegoría: el poder del símbolo". A mostra reúne 89 estampas clássicas do século XVI realizadas pelos principais mestres das escolas européias. Nao é programa dos mais populares, é verdade, mas nao deixa de ser interessante. Fica aberta ao público até 22 de julho.

A página do museu: http://www.fnmt.es/es/html/sd_re.asp

terça-feira, 12 de junho de 2007

Pátria Basca e Liberdade


Estrear em televisão no dia em que o grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade) anunciou oficialmente que iria retomar as armas garantiu um começo de practicas agitado. A organização já havia rompido a trégua ao cometer um atentado no estacionamento do terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madrid, em dezembro do ano passado, quando duas pessoas morreram.

Na ocasião, no entanto, o bando não assumia a volta à violência, mas já estava claro que o processo de paz movido desde março de 2006 com o presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, se complicava.

Em um comunicado, o grupo basco assume agora que não há “condições mínimas para um processo de negociação” com o governo, acusado de adotar “pseudo-soluções”. Dessa maneira, ETA abre novas frentes “em defesa de Euskal Herria”. Em outras palavras: novas possibilidades de atentados à vista.

Imagino que a dimensão desse grupo terrorista não seja tão significativa fora da Espanha, e por isso mesmo não ganha tanto espaço nos meios de comunicação que não sejam espanhóis, mas aqui o tema está sempre na pauta do dia.

Não só pelo recrudescimento da violência, mas a questão assume importante conotação política. De um lado, Zapatero sai em defesa dos esforços dos socialistas em lograr o processo de paz; do outro, a oposição do líder Mariano Rajoy não economiza palavras. Para os populares, Zapatero leva “fracasso” escrito na testa.

No dia do anúncio do fim da trégua de ETA, enquanto o presidente respondia às acusações no Palácio do Governo, saíamos em busca da repercussão. Primeiro, com a Comissaría de Polícia, que garantiu alerta máximo diante da possibilidade de novos ataques.

Depois, com o porta-voz da Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) - não se pode esquecer, em meio a tantas picuinhas políticas, que, afinal, os mais atingidos são os mortos nos ataques com carros bomba.

No dia seguinte, o governo respondeu mandando de volta à prisão o mais perigoso terrorista do bando, De Juana Chaos. Ele estava sob cuidados médicos em um hospital de San Sebastián, no país basco, depois de uma longa greve de fome como protesto à sua condenação.

Havia rumores de que ele cumpriria a sentença em prisão domiciliar, mas diante da retomada de armas de ETA, mandar um de seus mártires para o xadrez parecia a jogada mais sensata para calar a boca de uma população mais uma vez aterrorizada. A iniciativa agradou. Mas por aqui ninguém está calado.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O começo



E no começo era só um sonho. De lá para cá, foram sete meses bem reais. Para alguns, agora vem a parte mais interessante dessa história. Prácticas.

Partindo do nada, seguindo o caminho. O importante é nao perder o rumo.