terça-feira, 12 de junho de 2007

Pátria Basca e Liberdade


Estrear em televisão no dia em que o grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade) anunciou oficialmente que iria retomar as armas garantiu um começo de practicas agitado. A organização já havia rompido a trégua ao cometer um atentado no estacionamento do terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madrid, em dezembro do ano passado, quando duas pessoas morreram.

Na ocasião, no entanto, o bando não assumia a volta à violência, mas já estava claro que o processo de paz movido desde março de 2006 com o presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, se complicava.

Em um comunicado, o grupo basco assume agora que não há “condições mínimas para um processo de negociação” com o governo, acusado de adotar “pseudo-soluções”. Dessa maneira, ETA abre novas frentes “em defesa de Euskal Herria”. Em outras palavras: novas possibilidades de atentados à vista.

Imagino que a dimensão desse grupo terrorista não seja tão significativa fora da Espanha, e por isso mesmo não ganha tanto espaço nos meios de comunicação que não sejam espanhóis, mas aqui o tema está sempre na pauta do dia.

Não só pelo recrudescimento da violência, mas a questão assume importante conotação política. De um lado, Zapatero sai em defesa dos esforços dos socialistas em lograr o processo de paz; do outro, a oposição do líder Mariano Rajoy não economiza palavras. Para os populares, Zapatero leva “fracasso” escrito na testa.

No dia do anúncio do fim da trégua de ETA, enquanto o presidente respondia às acusações no Palácio do Governo, saíamos em busca da repercussão. Primeiro, com a Comissaría de Polícia, que garantiu alerta máximo diante da possibilidade de novos ataques.

Depois, com o porta-voz da Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) - não se pode esquecer, em meio a tantas picuinhas políticas, que, afinal, os mais atingidos são os mortos nos ataques com carros bomba.

No dia seguinte, o governo respondeu mandando de volta à prisão o mais perigoso terrorista do bando, De Juana Chaos. Ele estava sob cuidados médicos em um hospital de San Sebastián, no país basco, depois de uma longa greve de fome como protesto à sua condenação.

Havia rumores de que ele cumpriria a sentença em prisão domiciliar, mas diante da retomada de armas de ETA, mandar um de seus mártires para o xadrez parecia a jogada mais sensata para calar a boca de uma população mais uma vez aterrorizada. A iniciativa agradou. Mas por aqui ninguém está calado.

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